Pisada pronada: características e problemas para corredores

Durante a corrida ou caminhada, nossos pés se comportam de várias maneiras diferentes, pois eles são a interface do nosso corpo com o chão onde pisamos. No exercício, eles se adequam ao terreno por onde passamos e se modificam o tempo todo, para proporcionar o maior conforto e funcionalidade ao nosso corpo. Porém, os músculos e as particularidades anatômicas, nem sempre respondem de forma ideal para que isto aconteça da forma correta. Embora o pé se modifique o tempo todo para encontrar o melhor posicionamento, existe um padrão de comportamento que ele adota de acordo com o conceito de ação e reação de forças e sua capacidade de absorção de impacto. O tipo de pisada indica de que forma acontece essa absorção de impacto e a distribuição do mesmo por todas as estruturas do corpo. Existem três tipos de pisada: supinada, neutra e pronada.

A pisada pronada é a mais comum entre os corredores. Nela, o contato do pé com o solo se inicia pelo lado de fora do calcanhar, realiza uma rotação excessiva para dentro, terminando o impulso com a parte de dentro do dedão. Corredores com essa pisada tem uma distribuição de impacto assimétrica, que pode acarretar certos problemas, prejudiciais a saúde do atleta.

A pronação excessiva do pé está relacionada a diversas lesões por sobrecarga de membros inferiores e é considerada causa de disfunções biomecânicas importantes.

As lesões mais comuns associadas a pisada pronada são:

  • Fascite plantar: inflamação gerada por aumento de tensão na fáscia plantar.
  • Esporão calcâneo: degeneração óssea que resulta no aparecimento de uma espícula óssea, causada, entre outros fatores, por aumento da tensão na fáscia plantar ao nível do calcâneo.
  • Tendinite do tendão calcâneo: inflamação no tendão que liga a panturrilha ao calcanhar
  • Síndrome de Estresse Tibial Medial (Canelite): inflamação no osso da canela (tíbia) ou nos músculos e tendões que a envolvem.
  • Lesão de menisco: causada quando há a presença de joelhos valgos (quando os joelhos desviam para dentro), essa posição dos joelhos pressiona o menisco medial, podendo levar a lesão.

A pisada pronada também pode gerar a rotação do quadril, ocasionando uma mudança na posição pélvica, que contribui para o aparecimento de disfunções na coluna lombar. As alterações na estrutura da pisada, tal como pronação e supinação, afetam a estabilidade postural estática e dinâmica e devem ser tratadas a fim de evitar lesões e, consequentemente o afastamento do esporte, que pode ser por dias, semanas ou meses.

A maioria das pessoas que apresenta este tipo de pisada consegue amenizar ou até mesmo corrigir este “problema” que fará toda a diferença no futuro, evitando as lesões e podendo refletir no desempenho das atividades com menor gasto energético e melhor rendimento. A maior dificuldade está na detecção dessa alteração, que muitas vezes o atleta não dá a devida importância, por achar que é apenas um “detalhe”, ou até mesmo por não perceber tal alteração. Por isso, a busca por uma avaliação biomecânica, assim como o teste da pisada, é de fundamental importância para identificar e tratar essas alterações.

Estudos recentes mostram que somente o tênis adequado para o tipo de pisada não diminui o risco de lesões, portanto, o mais importante para o corredor é ter bom condicionamento físico, a musculatura fortalecida e bem prepara e, principalmente, um padrão de movimento ajustado a sua prática esportiva.

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